“Vivendo e aprendendo a jogar”

A vida de quem tem irmãos é uma fonte constante de aprendizados, para as crianças e para os pais. Muitas vezes desejamos que haja um diálogo fluente entre elas e que as brincadeiras sejam divertidas, só que elas acabam em disputas e divergências, testando a paciência e a criatividade dos pais para lidar com essas situações banais de um modo mais leve.

É certo que muitas das confusões seriam evitadas se tivéssemos manuais de como as crianças funcionam, mas algumas dicas e observações que consigamos fazer serão bem úteis!

Imagem: www.pointbeachprep.com

Por exemplo: desejar brincar com um determinado brinquedo ou objeto que esteja com outra criança é natural, já que ela está se divertindo. Mas os bem pequenos não têm noção de moral ou de que simplesmente tomar da mão do outro o que lhe interessa pode magoar e mesmo machucar, então quando isso ocorre é legal fazer como nas escolinhas: recorrer às combinações. Por exemplo: É LEGAL… (usar as palavrinhas mágicas; brincar, cuidar e guardar; emprestar os brinquedos) versus NÃO É LEGAL (pegar o brinquedo sem pedir emprestado; deixar os jogos espalhados; bater nos irmãozinhos).

Se as crianças têm uma certa diferença de idade, podemos perceber que seu jeito de brincar difere bastante, talvez em parte porque, até os 4 anos, vivemos ditando regras sobre como se deve brincar, justamente por preocupações com segurança, principalmente. E aí que as crianças estão testando livremente as possibilidades, mas estão nos ouvindo – embora não pareça! Sua diversão não tem um padrão, porque ela se permite variar e por não compreender bem o que são as regras e para que elas servem, já que não têm noção do que é futuro, ou conseqüência dos atos. Por isso achamos que elas são resistentes, teimosas… Elas estão experimentando sem medo de dar errado!

Já quando estão na faixa dos 4-5  até os 7 anos, as crianças sentem que as regras lhes dão segurança – será que de tanta insistência nossa? -, pois percebem que faz parte da cultura do ambiente em que vivem. E passam a vigiar e cobrar para que as regras sejam cumpridas rigorosamente, já que acreditam que elas são verdades absolutas. A flexibilidade é algo bem difícil a partir nessa fase. E a sua compreensão da moral é muito limitada, então compreender essas normas é segui-las como as compreenderam. Por exemplo: quando entre amigos algum deles coloca uma peça do quebra-cabeça fora de propósito não é tão impactante quanto se o irmão perde cinco peças do mesmo jogo. Para que a criança consiga refletir e trabalhar seus sentimentos sobre o acontecido, os pais podem conversar e ajudá-la a falar sobre sus sentimentos, para que isso não se reverta em uma atitude mais agressiva e que tenham paciência, não negligenciando o fato, já que também não desejamos que as crianças cresçam acreditando que tudo é descartável, assim como não é legal sair rotulando o amiguinho como “bobo” ou “malvado” e que os erros podem acontecer com todo mundo. E é por isso que uma criança nessa faixa etária facilmente se desentende com irmãos menores, de até 4 anos. Sua compreensão das regras já é completamente diferente!

Imagem: www.betterparentinginstitute.com

Um pouco maior, a meninada consegue ficar mais tranqüila em relação a modificar algumas regras em que isso possa facilitar a brincadeira, incluir uma criança menor ou com dificuldade de qualquer tipo, mas que as regras têm razão de existir. Em alguns momentos, poderão ter vergonha de brincar com seus pais diante dos amigos, mas ficarão orgulhosos de seus pais, se forem assim também na privacidade do lar.

Imagem"www.123rf.com

É fácil utilizar-se dessa flexibilidade e querer extrapolar para outras vivências, mas os pais podem colocar através do diálogo que para cada ação, pode haver uma intenção, seja ela explicita ou não e que devemos refletir sobre as coisas que fazemos. Que não é preciso recorrer a castigos se regras forem quebradas, mas que poderemos precisar disso se algo muito importante ocorrer. E que conversando é possível fazer acordos sobre algumas regras, mas não todas. Nessa etapa, perceber que os pais continuam firmes nos propósitos e que há valores bons e ruins, sendo que sua família é aquela em que uns cuidam dos outros, para que brincadeiras e momentos mais sérios sejam de união e respeito mútuo. Isso tudo dá base sobre a qual o futuro adulto se estabelecerá.

E, finalmente, na chamada pré-adolescência, a criatividade é muito utilizada na criação de regras próprias, usadas em situações conforme o entendimento que as ainda crianças – embora detestem ser chamadas assim – como para decidir contar que se envolveram numa confusão e receberam uma advertência na escola, ou que uma amiga está se envolvendo em companhias que sabem que os pais não aprovariam. E nessa idade os jogos de cartas ou de tabuleiro são muito bacanas, pois permitem interação, diálogo/debate e formação de equipes, seja entre a família ou quando o adolescente o faz com amigos.

Então, como diz a música, “vivendo e aprendendo a jogar/nem sempre ganhando, nem sempre perdendo/mas aprendendo a jogar”!

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